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Convidado: Renato Quedas - Borland
Moderador: Bruno Souza (javaman)
Esse é um fórum moderado.
javaman: Vamos dar inicio a mais um jantar no Restaurante no Fim do Universo.
Hoje teremos um bate papo com Renato Quedas, da Borland Brasil. Renato é o grande entusiasta
e especialista Java da Borland, e tem trabalhado em projetos de J2EE no Brasil e na América Latina.
Renato deu uma palestra sobre o servidor Borland Enterprise Server na ultima
reunião do SouJava, que foi um sucesso. Hoje, vamos falar de J2EE,
BES, JBuilder e o que mais vocês
quiserem sobre a Borland.
javaman: Vou começar perguntando: Renato, o quanto
Java é importante para a Borland?
Renato Quedas: Java e muito importante para a Borland, assim como
a Borland tem sido muito importante para Java, somos participantes ativos
do JCP. Hoje perto de 40% do faturamento
da Borland vem de Java e serviços ligados a ele
Javali: Renato, qual o diferencial do BES comparado com os
outros servidores de aplicação, ou, com outras palavras, por
que a gente compraria este produto e não outro?
Renato Quedas: o grande diferencial do BES esta ligado a: preço
/ tecnologia, performance/escalabilidade, serviços de treinamento/consultoria/mentoring
disponíveis localmente no Brasil
Claudio4J: Como a Borland enxerga a Sun empacotando o SunONE
AppServer (antigo iPlanet) junto com o Solaris ?
Renato Quedas: não deixa de ser uma estratégia cada
empresa adota uma, esta parece ser a da Sun
Danilo: Renato, você sabe de um tutorial que mostre
como fazer o deploy de um EJB Hello World no BES ? Mas algo bem simples que
use apenas linha de comando, sem integração com o JBuilder.
Tenho uma aplicação que estou usando o JBoss mas gostaria de
testar com o BES.
Renato Quedas: Você pode criar o seu EJB (home/remote/bean
class) e depois utilizar as ferramentas do BES (O Deployment Descriptor
Editor e a Ferramenta de Deploy) para fazer o deploy, estas ferramentas
são super visuais
Danilo: A questão sobre o tutorial e que eu não
quero nada visual. Pois estou usando o Ant para gerar o código da
aplicação. Quero que o Ant também monte os pacotes
que possam então ser usados no BES, assim como ele já monta
um pacote que posso usar no JBoss.
Renato Quedas: quanto ao tutorial com o Ant eu não o tenho
mas a documentação do BES ensina como utilizar a linha de comando
fgm: qual expectativa de mercado da Borland tendo em vista
que no mercado esta em disputa com empresas como IBM e a própria Sun?
Renato Quedas: A expectativa de mercado é ótima,
embora existam grandes players nós temos tecnologia de sobra para
enfrentá-los
Javali: Renato, poderias dar mais detalhes referente ao diferencial
"tecnologia" ? Por que BES e' melhor tecnicamente ?
Renato Quedas: Todo o nosso core é baseado em CORBA o que
nos permite alcançar níveis de escalabilidade e performance
tremendos com um mínimo de configuração. O BES fala
IIOP puro ao invés de ficar fazendo marshalling de protocolos. Além
da arquitetura de partições que garante um maior controle sobre
a utilização de recursos de maquina além de permitir
o isolamento dos serviços e módulos de uma aplicação
J2EE
RenatoTx: Quedas, quais as formas de conexão com o
mainframe o BES oferece ?
Renato Quedas: Boa pergunta, depende do tipo de conexão,
na verdade nós utilizamos qualquer conector JCA compliant. Se você
tiver um conector, o BES fala com ele (desde que seja um conector J2EE compliant)
Javali: O BES traz alguma implementação de
conector para falar com mainframe ?
Renato Quedas: Não o BES não traz nenhum conector
J2EE com ele, mas o serviço de conectors esta la, basta colocar o
conector e pronto
fgm: o que a Borland tem a dizer quanto a segurança
no BES?
Renato Quedas: Nossa segurança esta baseada nas API's de
segurança do J2EE, alguma pergunta especifica?
:::Facunte: Renato, estamos vendo que algumas empresas e
profissionais, estão "olhando" com mais carinho para os servidores
de aplicação. Como está o mercado para o BES?
Renato Quedas: o mercado do BES está crescendo, existem
várias empresas que estão trabalhando com o BES hoje
Claudio4J: E sobre a comoditizacao do mercado de Servidores
de Aplicação ? Visto os recentes casos, em que a HP descontinuou
o HP-AS (antigo Bluestone) e a linha NetAction
Renato Quedas: Acho que os AppServers se tornarão commodities
em um espaço de tempo, mas acho que ainda leva um tempo. Lembre-se
que os RDBMS também eram todo poderosos antigamente e hoje tornaram-se
commodities acho que é questão de tempo
Claudio4J: Sobre o IIOP ainda: mas o IIOP não é
um protocolo mais pesado do que um protocolo proprietário ?
Renato Quedas: O IIOP é um protocolo bastante leve em cima
do TCP/IP e a grande sacada está em oferecer a interoperabilidade
com CORBA ou seja qualquer linguagem que implemente CORBA pode trabalhar
diretamente com o J2EE.
Claudio4J: Sim, sempre existirá o drawback entre flexibilidade
x performance
Renato Quedas: Estaremos falando bastante sobre BES inclusive casos
de sucesso no BorCon Brasil
que será realizado junto com a COMDEX
Claudio4J: Sobre o recente episódio da Sun (com o
JCP) permitir que projetos OSS (por enquanto Apache) possam implementar
as especificações do JCP, não pode ser visto como concorrência
?
Renato Quedas: Concorrência com quem?
javaman: Concorrência com os servidores comerciais?
Claudio4J: Num curto prazo nem existe tanto mas com o amadurecimento
das tecnologias, pode-se ter outras servidores opensource. Visto o Apache
WebServer bater no IIS
Renato Quedas: Hum, sim e não, depende do que eles estiverem
buscando, o JBoss por exemplo é concorrente mas não tem penetração
nas corporações
Claudio4J: Justamente, por causa do amadurecimento
RenatoTx: Quedas, você citou na palestra, que no confronto
entre o JBoss x BES que a grande sacada era colocar os dois no ar, mas vendo
por outro lado, todo o automatismo do BES faz com que o operador perca a
visão do que ocorre ?
Renato Quedas: Que tipo de visão você está
citando?
RenatoTx: por exemplo, você mandou clonar um espaço
no BES, ele levou um certo tempo e fez, entretanto, você não
sabe ao certo o que foi feito e de que maneira.
Renato Quedas: aahhhh, aquilo na verdade é bem simples,
uma partição fisicamente é montada em uma estrutura
de diretórios, logo o trabalho do BES é copiar esta estrutura
e colocá-la para rodar dentro de um processo servidor chamado de partition.
RenatoTx: certo, o que garante que esse processo, feito inadvertida-mente,
eleve o processamento do servidor a ponto de imcapacita-lo, o que não
pode ocorrer em grandes sistemas (quando operados em maquinas únicas)
Renato Quedas: N fatores, pool de conexões, TX monitor,
um bom container e etc...
javaman: Isso é muito legal para administração,
mas um desenvolvedor tem como saber o que acontece por baixo dos panos?
Danilo: Renato, você falou que o JBoss não
tem penetração nas corporações. Você pensa
que isso tende a mudar ?
Renato Quedas: As grandes corporações buscam um representante,
um dono, alguém que suporte e se responsabilize pelo sucesso dos
projetos, infelizmente o JBoss não tem como realizar isso hoje.
Claudio4J: Sim, concordo
javaman: Mas a Borland também fez uma política
de preços agressiva, não é justamente para conseguir
penetração no mercado?
Renato Quedas: Sim, a nossa política de preço é
agressiva, queremos o mercado estamos lutando por ele
Claudio4J: Se alguém quiser estender as funcionalidades
do BES (ex: em todo bean que for executado findBy*****), existe uma API
pública ?
Renato Quedas: Você quer saber se o BES possui as mesmas
API's de interceptors do JBOSS? Existem diversas API's para trabalhar com
o BES, não me lembro se existe algo especificamente para trabalhar
com o persistent manager
Claudio4J: O BES fornece extensões de EJB-QL ? Por
exemplo comparação entre datas do tipo java.sql.Date?
Renato Quedas: não o BES trabalha 100% baseado na especificação.
Usar qualquer coisa diferente disso dentro de um componente é correr
risco e quebrar a premissa do J2EE que é write once run anywhere
Claudio4J: puxa, não existe nenhum tipo de extensão
javaman: Você considera as extensões da especificação
algo bom ou algo ruim?
Renato Quedas: Se a extensões forem pregadas pelo JCP, acho
que vale a pena olhar, agora se forem extensões propostas por um
determinado fabricante ai acho que quebra o valor da plataforma as pessoas
adotam J2EE como padrão para trabalhar com o padrão e não
para inventar padrões
Claudio4J: Engraçado, mas os servidores justamente
fornecem as extensões como uma maneira de contornar alguma limitação
do padrão, por exemplo no EJB 1.1, o Weblogic tinha um EJB-QL robusto
(que é o EJB-QL do 2.0)
Renato Quedas: O problema da extensão é quando ela
afeta diretamente um componente J2EE, por exemplo, suponha que você
atua como um bean provider e seu componente esteja baseado no EJB-QL do
WebLogic, ai um cliente que usa BES quer usar seu componente, booom, seu
componente J2EE que se diz tão portável esta amarrado a um
fornecedor e não a arquitetura. A grande aceitação do
J2EE nas corporações e dada ao fato de que além dos
benefícios da framework eu possua a segurança de investir em
algo que me garanta um trabalho a longo prazo.
Claudio4J: Sim, como bean provider deveria contornar a limitação
via algum componente implementado do lado do bean provider
bruno: E essa consolidação de mercado de servidores
de aplicação? Não corremos o risco do BES ser comprado
e sumir? Qual a forca da Borland nesse ponto?
Renato Quedas: Veja nossas ações no NASDAQ a Borland
é uma companhia sólida e com posicionamento consolidado no
mercado, mas, como todas as companhias de tecnologia temos ações
na bolsa e estamos sujeitos as suas variações, e ate agora
você vê companhias como IONA / BEA e etc... com valores oscilando
muito e nossa companhia em uma posição estável
Danilo: http://finance.yahoo.com/q?s=BORL&d=v1
bruno: E a integração entre as diversas ferramentas
da Borland?
Renato Quedas: temos duas linhas de ferramentas, a linha RAD que
trabalha com Windows / Linux (.NET no futuro próximo) e a linha Java.
A integração entre estas ferramentas hoje pode ser feita
através de CORBA ou SOAP, todas elas oferecem suporte aos dois
:::Facunte: A Borland começou sua campanha de marketing
no Brasil a pouco tempo (uns 2-3 anos). Agora com a BorCon 2002 realizada
no Brasil, acredito que ganhará uma força tremenda, principalmente
com a vinda de grandes nomes.
Claudio4J: Quedas: fiquei bastante impressionado quando disse
que a Borland tem 40% do faturamento em Java, a Borland quer investir mais
em Java (claro que quando o mercado der fôlego) ?
Renato Quedas: a Borland possui um compromisso forte com o mercado
Java, possuímos uma Business Unit que só trabalha com isso
e é responsável por nos colocar na liderança deste
mercado. Nós também acreditamos em .NET e temos uma outra
Business Unit que está trabalhando fortemente com isso. O interessante
é que a Borland será capaz de trabalhar com foco nos dois
mercados (J2EE e .NET) sem atrapalhar um ao outro.
Javali: Renato, qual a posição do BES no ranking
de vendas mundial e quantos casos existem de uso efetivo no mercado brasileiro
?
Renato Quedas: indo para produção no brasil algo
perto de 12 projetos todos baseados em EJB
:::Facunte: amigos, lembro que em certa ocasião, numa
das apresentações do JBuilder (acredito que a versão
4), haviam poucas pessoas (umas 150), já na versão 5 (olha que
já estamos na 7), haviam mais de 500 pessoas. O crescimento do Java
e do JBuilder é bem visível, não acham?
Danilo: O que pode se falar sobre integração
com o .NET ? Especialmente entre aplicações que tem o lado
servidor desenvolvido em J2EE (EJB) e o cliente .NET.
Renato Quedas: a integração desse tipo de aplicação
pode ser feita através de SOAP facilmente, basta que o servidor J2EE
suporte SOAP
fabiano_vr: Quem você acha que vai vingar no mercado
J2EE ou .NET?
Renato Quedas: Acho que o J2EE e o .NET possuem seus lugares no
mercado. J2EE está no mercado a muito mais tempo portanto e muito
mais maduro, J2EE prevê coisas que o .NET não prevê. Acredito
que J2EE fique com a parte servidora e .NET ganhe bastante força na
parte client-side, mas ainda é muito cedo para se dizer. Esta opinião
obviamente é pessoal :)
bruno: E como você vê a evolução
dos servidores de aplicação? O que mais vem por ai?
:::Facunte: A comunidade também é maior, não
acham ? (J2EE) ... e mais unida...
Danilo: Você falou "basta que o servidor J2EE suporte
SOAP". O BES suporta ? Como funciona isso ? Cada bean tem seus métodos
expostos como um método SOAP ?
Renato Quedas: Sim o BES suporta isso
Claudio4J: Como vocês acompanham o mercado de desenvolvimento
para aplicações desktop (JFC/Swing) ? Muitas vezes ouvimos
que não temos tantas aplicações JFC/Swing pelas ferramentas
não serem tão boas ainda (amadurecimento), ex: compara Delphi
com JBuilder
Renato Quedas: na verdade acho JFC/Swing bastante interessante,
acredito que no futuro as pessoas acreditem mais nisso
Claudio4J: E também o mercado de ferramentas RAD para
Java não avança esperando que o mercado faça milhares
de aplicações JFC/Swing
RenatoTx: O JBuilder possui alguma integração
com STRUTS ou com algum MVC para JSP e quais recursos oferece de apoio ao
desenvolvimento de JSPs ?
Renato Quedas: O JBuilder não possui nenhuma integração
com o STRUTS hoje, mas ele permite o desenvolvimento, depuração
e execução de JSP/Servlets em qualquer WebContainer que ele
ofereça suporte: TOMCAT / iPlanet / WebLogic / WebSphere / BES. Hoje
o JBuilder oferece basicamente os mesmos recursos para todos os Application
Servers que ele suporta
bruno: Que outras características a Borland pretende
colocar no BES no futuro?
Renato Quedas: O BES vai crescer muito na área de gerenciamento
de ambientes, uma vez que existe um esforço de incorporar nele recursos
de nossa ferramenta de gerenciamento o Borland AppCenter isto será
feito de maneira progressiva, e seguir de perto a especificação
do J2EE sempre é claro
Claudio4J: Como que os servidores podem estar sempre na crista
da onda, apenas aderindo aos padrões, sem oferecer nada a mais além
do padrão ?
Claudio4J: Então o mercado que deve sair na frente
e colocar a demanda de produtos/funcionalidades para que tenha-se uma RAD
como o Delphi ?
Renato Quedas: Na verdade ter um RAD como o Delphi é um
pouco mais difícil, o Swing foi criado para ser multi plataforma desde
o começo, logo ele precisa lidar com coisas que o Delphi não
precisaria. Mesmo no Delphi quando se trabalha com CLX que e a biblioteca
cross-platform tem alguns componentes que não estão presentes.
:::Facunte: Aproveitando a pergunta do Claudio4J, o Delphi
irá oferecer algum tipo de suporte ao Java, ou acesso a EJBs sem a
utilização do CORBA
Renato Quedas: Não o Delphi acessa EJB's via CORBA, ou via
SOAP
Danilo: Existe em algum lugar um estudo de casos de uso mais
detalhado. Ou seja que fale exatamente o hardware/software usado e principalmente
detalhes da arquitetura. Por exemplo se foram usados entity beans, os design
patterns utilizados e assim por diante. Especialmente para clientes não
tão grandes.
Renato Quedas: Os estudos de casos são publicados em nosso
site, mas não existem detalhes de projetos. Dos que participei posso
dizer que utilizamos diversos patterns J2EE, além de uma framework
que desenvolvemos internamente para melhorar a produtividade. Esta framework
pode ser adquirida através de nossa área de serviços
profissionais
Danilo: O que faz resumidamente este framework ?
Renato Quedas: Possui diversos serviços básicos como
query, paginação, log, autenticação/autorização
e etc... Ela foi concebida visando serviços
:::Facunte: e o custo Quedas, é low?
Renato Quedas: não tenho o custo na mão
:::Facunte: e a mesma será estendida, tornando-se
um produto Borland?
Renato Quedas: não ela não é oferecida como
produto, e sim como customizações cliente por cliente
Claudio4J: Mas isso não poderia ser um valor agregado
do AppServer ?
bruno: Mas o uso desses frameworks não nos prendem
a um servidor de aplicações único?
Renato Quedas: não a framework é J2EE e não
está presa a nenhum servidor de aplicações
Danilo: E sobre integração com ferramentas
UML como esta isto ?
Renato Quedas: temos uma integração pesada com o
Rose, mas também com outras ferramentas como Together, Embarcadero
e etc...
javaman: Pessoal, infelizmente nosso tempo esta acabando.
Eu gostaria de agradecer o Renato Quedas pela participação.
Renato, quer finalizar?
Renato Quedas: Gostaria de agradecer a presença de todos,
e dizer que a Borland acredita no Java e trabalharemos para torná-lo
cada vez mais produtivo, um abraço. Espero todos no BorCon Brasil
javaman: Obrigado a todos.
javaman: Ultimo moderador (eu) saindo. O chat agora está
liberado.
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