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Terca, dia 5 de junho
Antes do keynote começar, verifiquei com o John Gage se ele realmente ia chamar os brasileiro para a
ação, e ele disse que sim...
O keynote hoje comecou com John Gage anunciando e fazendo uma demonstracao
de como as apresentacoes estarao na web: com os transcrips, slides e audio
online. Todos poderão acessa-las atraves de: http://java.sun.com/learning. Foi dito que
sera cobrado uma "nominal fee" para esse acesso, mas nao sei ainda o que isso
significa em termos financeiros. Teremos que verificar. De qualquer forma, os participantes do JavaOne
esse ano terão 30 dias para acessar de graça.
Em seguida, apos um video que mostrava James Gosling (criador da linguagem Java)
viajando pelo mundo e comprando aparelhos com suporte a Java, ele subiu ao
palco, e mostrou alguns dos aparelhos com suporte a Java que podem ser
adquiridos hoje, principalmente fora dos EUA (mas tbem o i85s da Motorola, que
esta a venda por aqui).
James contou entao que ao solicitarem uma medida do sucesso de Java, antes dessa
ter sido lancada, ele imaginou que 10 mil desenvolvedores baixando o toolkit ja
seria um sucesso inacreditavel. Hoje, no JavaOne, sao 22 mil pessoas, 300 secoes
tecnicas, e 1100 palestrantes. Foram submetidas 2200 palestras para apreciacao.
(falando nisso, dessas 2200, os brasileiros submeteram 6 e tivemos 2 aprovadas
- uma delas aconteceu ontem, e a outra será hoje no fim do dia :-)
George Paolini subiu ao palco, e ajudou o James Gosling a jogar camisetas para a
plateia (uma tradicao desde o primeiro evento). So que dessa vez, foi utilizado
uma especie de bazuca, capaz de atirar as camisetas bem longe! Mais uma vez, eu nao consegui pegar
nenhuma... Esse eh um caso em que ter participado 5 vezes do evento nao ajuda em nada...
Comecou entao o keynote do James Gosling, e ele falou sobre a linguagem Java:
A linguagem Java tem sido mantida propositadamente estavel, mas duas mudancas
importantes estao sendo implementadas nas proximas versoes:
- Assertions - assertions ja fazem parte do SDK 1.4 (que esta em beta) e permitem com que
desenvolvedores gerem codigo que so sera executado em momento de teste e debug, de forma a verificar a
qualidade do codigo e identificar erros o mais cedo possivel, sem que isso resulte em perda de
performance no programa final.
- Generics - tambem conhecidas como templates. Essa tem sido a principal
modificacao solicitada pela comunidade Java, e James Gosling citou que ja era solicitada antes de Java
ter sido lancada. Gosling falou sobre as brigas entre ele e Bill Joy a respeito do assunto, e que
demorou alguns anos para a propria comunidade chegar a um consenso em relacao ao que Generics
significava. Generics sera incluida no SDK 1.5, mas ja eh possivel utilizar um compilador inicial para
compilar codigo com generics. Como nao houve mudanca no codigo binario para suportar generics, o codigo
compilado funciona sem problemas nas JVM atuais.
James entao apresentou alguns usos de Java em lugares estranhos e diferentes:
- Demonstrou uma aplicacao de geracao de musica via web. Era uma especie de
"chat" musical, onde participantes ao redor do mundo podem compor e participar
de "jam sessions" via web
- Mostrou tbem uma ferramenta que permite a visualizacao, em momento de
execussao, dos objetos de uma aplicacao, o que permite ter uma nocao visual do
comportamento da aplicacao, e ajuda na solucao de bugs.
Depois do James Gosling entrou o presidente da Nokia, Pekka Ala-Pietila, que
veio falar do compromisso da Nokia com a tecnologia Java.
Pekka falou sobre o movimento wirelless e a importancia que foi isso para o
mercado de voz. Mostrou um grafico da estimativa altamente agressiva que a Nokia
havia feito sobre a adocao de celulares no mundo (quando foram chamados de
malucos e lunaticos na epoca, que aqules numeros eram impossiveis), e como a
realidade se muitas e muitas vezes _maior_ do que as estimativas deles!
E ele mostrou entao as estimativas que eles estao fazendo agora, mostrando que
em 2002 haverao mais celulares conectados na internet do que PCs (eles estimavam
que seria so em 2003, mas estao mudando essas estimativas).
Pekka disse que nesse mercado existem muitas empresas e que por isso mesmo, eh
um mercado onde as coisas precisam acontecer evolutivamente, e nao
revolucionariamente, e que precisam ser dados passos pequenos mais rapidos, ao
inves de grandes passos. Alem disso, eh necessario haver um equilibrio entre a
competicao e a coperacao por parte dos participantes. Por isso o processo de
evolucao da tecnologia Java, o JCP - Java Community Process - eh tao importante. Essa
caracterisitica, junto com a tecnologia em si, faz com que "no mercado wirless e
movel, Java possui mais chance de sucesso do que qualquer outra tecnologia".
Pekka disse que a Nokia esta comprometida a vender nos EUA ja no ano que vem
(2002) 50 milhoes de celulares com suporte a Java, e em 2003 outros 100 milhoes
de aparelhos. A Nokia utiliza Java nao so nos aparelhos, mas tambem na
infraestrutura de comunicacoes (os servidores) da empresa.
Finalizando o keynote da Nokia, Blake Stone, da Borland, apresentou uma serie de
ferramentas rodando no JBuilder para
o desenvolvimento rapido de aplicacoes Java para celulares e para o Nokia.
Pekka finalizou seu keynote falando sobre o JCP, e comentando que o precesso eh
um processo eficiente e importante em fazer com que a tecnologia Java possa ser
utilizada nesses mercados.
Apos o keynote da Nokia, John Gage fez os ultimos anuncios a respeito do dia de
hoje (palestras, mudancas de horarios, etc) e terminou dizendo: "o evento
JavaOne possui uma regra fundamental: don't be shy! (nao sejam timidos), e
existe um pais que nos da um exemplo de como nao ser timidos, e esse pais eh o
Brazil" - essa foi a deixa para que o grupo de brasileiros no evento (15
pessoas) levantasse abanando a bandeira brasileira, e gritando Brazil. John Gage
depois pediu que para que repetissemos a "performance".
Depois disso, levei o grupo de brasileiros para conversar com o John Gage, James Gosling e Jon
Kannegaard (vice presidente e diretor do Sun Laboratories), e aproveitamos para tirar fotos.
Presenteamos os tres com as camisetas que fizemos para o evento, e uma camiseta especial para John Gage
e
James Gosling com as instrucoes de como fazer caipirinha.
Depois do keynote, fui para a entrevista coletiva com os paricipantes do keynote. Foram feitas algumas
perguntas, e as colocacoes mais importantes foram:
- Em relacao a Microsoft e .Net -
Gosling, comentando sobre C#, a linguagem do .net da Microsoft: "A copia eh a
forma mais sincera de elogio, e C# (C sharp) eh uma copia direta de Java. So que
com os bugs colocados de volta, e sem as preocupacoes com seguranca"
- Sobre o caso DOJ vs Microsoft -
Gosling: "a conspiracao de silencio que havia em torno da Microsoft acabou, e
essa foi a importancia do processo do DOJ. A parte mais dificil desse processo
foi conseguir pessoas que estivessem dispostas a testemunhar contra a Microsoft.
Agora que essa conspiracao de silencio acabou, o que acontecer com o processo
daqui para frente eh irrelevante, o importante eh que o controle que a sociedade
estabelece sobre as empresas foi preservado".
- Sobre a queda das acoes -
Gosling: a queda das acoes foi estremamente benefica. Ate recentemente, ninguem
valorizava o trabalho e as melhores ideias, e apostava-se em qualquer coisa, nao
importanto se era lucrativa ou nao. Com a queda das acoes, essa valorizacao
volta a acontecer. Isso vai ser fundamental para a economia daqui pra frente.
Apos o keynote, eu tive uma conversa com Jon
Kannegaard (vice presidente e diretor do Sun Laboratories). Kannegaard eh meio desconhecido dos
desenvolvedores em geral, principalmente no Brasil, mas eh um dos grandes executivos da Sun. O SunLabs,
que ele dirige, eh responsavel por algumas das maiores inovacoes da tecnologia Java. Foi de la que
sairam coisas como RMI e Jini, a KVM e o projeto JXTA.
Acho que posso considerar essa como minha primeira entrevista exclusiva, portanto, eh preciso dar o
devido desconto... :-)
Com Jon Kannegaard, vice presidente e diretor do Sun Laboratories
[Souza] Jon, que voce poderia nos dizer sobre a tentativa da Microsoft de
concorrer com Java atraves do C# e .Net?
[Kannegaard] Do mesmo jeito que nao podemos subestimar uma tecnologia
concorrente, nao podemos superestima-la. A Micrososft esta apresentando uma
tecnologia, e tem uma serie de obstaculos pela frente. Eles estao atrasados, e
tentarao reverter o gigantesco momento da tecnologia Java. Java possui 98% dos
servidores de aplicacao, e praticamente 100% dos telefones celulares, essa eh
uma dianteira muito grande.
[Souza] E o que seria necessario para que Java nao perca esse momento?
[Kannegaard] Primeiro, Java precisa continuar a ser uma tecnologia da industria. A Sun
comecou esse processo, mas hoje Java eh criada e mantida pela industria. Isso
traz uma forca muito grande para a tecnologia. Java precisa evoluir, nao pode
ficar parada. Estamos na dianteira, com uma tecnologia superior, mas precisamos
manter a dianteira. Por isso, o processo do Java Community Process (JCP) precisa
funcionar. Voce viu como o presidente da Nokia falou da importancia do JCP. Ele
funciona, e precisamos evolui-lo constantemente para manter a dianteira. E por
ultimo, precisa haver uma razao para a existencia de Java. A grande vantagem da
tecnologia Java eh a independencia de plataforma. Se isso nao for mais
importante, Java perderia o sentido. Mas ser multiplataforma eh fundamental no
mundo dos servidores e no mercado de pequenos devices, por isso Java eh tao
forte e importante nesses mercados.
[Souza] E a promessa que a Microsoft esta fazendo de ter uma tecnologia aberta e
multiplataforma?
[Kannegaard] Eles estao falando a coisa certa, mas nao estao mostrando na pratica,
transformando isso em realidade. Seria ate interessante se eles tivessem uma
tecnologia aberta e multiplataforma, assim poderiamos competir em termos
tecnicos. Mas nao eh isso que estamos vendo, a tecnologia eh proprietaria e o
que esta sendo prometido para o futuro eh inferior ao que Java ja traz hoje.
[Souza] Mas a Micrososft tem algumas vantagens...
[Kannegaard] Claro. E a principal sao as ferramentas. Em materia de ferramentas de
desenvolvimento a Microsoft sempre foi muito capaz, principalmente de fazer a coisa simples. Com o J2EE
nos fizemos o desenvolvimento menos complexo, mas ainda nao eh simples. Entao, um dos desafios eh termos
ferramentas melhores. Estamos melhorando. Nao temos medo de competicao e estamos trabalhando para vencer
esse desafio.
[Souza] E o evento JavaOne esse ano?
[Kannegaard] Esse ano eh diferente dos outros anos porque todas essas tecnologias
funcionam, tudo funciona. No ano passado, estavamos mostrando prototipos que
seriam lancado no futuro. Esse ano, os produtos sao reais, sendo
comercializados. Estamos realmente vivendo um momento interessante,
pricipalmente para a comunidade de desenvolvedores que pode sair e usar o que
esta sendo mostrado.
Apos essa convesa, acho que fechamos com chave de ouro o keynote de hoje.
Fui em seguida andar pelo pavilhao. Visitei algumas empresas, mas pricipalmente conversei com o
pessoal nos stands da Sun. o pavilhao esse ano esta bem variado, com os mais diversos tipos de empresas.
Mais uma mostra de que o mercado de Java esta fervilhando. Muitas empresas mostrando equipamentos J2ME,
muitas mostrando ferramentas de desenvolvimento.
Participei da coletiva sobre o uso de WebServices, da qual participaram algumas empresas de servidor
de aplicacoes, e foi moderado pelo Ed Roman (autor do mais famoso livro sobre EJBs, "Mastering EJBs").
Ficou claro a partir do painel que todos os participantes estao se preparando para concorrer com o
produto .Net da Microsoft, e que todos acreditam que o .Net ira participar do mercado. Existe um lado
positivo nisso, ja que obriga as empresas e o proprio JCP a estar sempre evoluindo a plataforma J2EE.
Por outro lado, todos abordaram o fato de .Net nem ao menos existir ainda, e ser um produto que ainda
vai precisar de amadurecer muito antes de atingir a massa critica que J2EE e EJB ja possuem hoje. Isso
sem contar que no caso do J2EE, a tecnologia ja esta bastante madura.
Sobre o "Common Language Runtime" (CLR), que faz parte do .Net, foi observado que o beneficio seria
permitir com que programadores nao precisassem aprender uma nova linguagem para criar servicos. Mas o
contraponto foi imediato: um dos grandes desafios do .Net sera o fato que VB != VB.Net, e portanto, sera
necessario aprender uma nova forma de programar de qualquer maneira.
Outra coisa importante, eh que toda a nocao de Web Services nao eh apenas a questao de como
disponibilizar os servicos (que eh o que o .Net aderessa), ou seja, nao eh apenas a questao do cliente
comunicar com o servidor. Mas o problema maior eh a integracao. Enquanto J2EE eh uma tecnologia baseada
e direcionada para integracao com bancos de dados, servicos de diretorios, e qualquer outro tipo de
sistema (em especial atraves da arquitetura de connectors), o .Net nao possui previsao de integracao com
muita coisa.
Por ultimo, a ironia em relacao aos Web Services eh que as primeiras implementaccoes reais de Web
Services ja existem, e sao em cima da tecnologia J2EE. A plataforma J2EE eh hoje a plataforma existente
estavel e robusta para rodar web services.
Saindo da coletiva de imprensa, fui para o hotel, para preparar a apresentacao. Hoje eh o dia que eu
e o Daniel deOliveira, do DFJUG faremos nossa apresentacao sobre o
movimento de Java no Brasil. Depois de finalizarmos a apresentacao, fomos para a sala.
A apresentacao foi divertida. Primeiro, o telao nao funcionava. Depois, existe um projeto chamado
Brazil, e quando eu falei que a apresentacao nao era sobre o projeto Brazil, um cara levantou (eu tinha
certeza que teria alguem perdido) e perguntou, "como assim nao eh sobre o projeto Brazil? Sobre o que eh
entao?". Quando eu expliquei e o cara finalmente entendeu (nao foi imediato...), ele saiu meio perdido,
e ainda ouvimos ele no corredor: "nao eh sobre o projeto Brazil, eh sobre o pais Brazil...". Ate agora
ele ainda nao deve ter entendido... Mas esse nao foi o unico caso engracado. Paul - um outro gringo que
acabou se interessando e fazendo um monte de perguntas - ficou na sala porque ele assistiu a
apresentacao anterior e estava com preguica de ir para outro lugar... Tudo isso deixou a apresentacao
bem light, e falamos sobre os JUGs, o perfil do desenvolvedor brasileiro, o mercado no Brasil.
Entre os assuntos da apresentacao estava a pesquisa que foi feita sobre o desenvolvedor brasileiro
(voce nao sabe que pesquisa eh essa? Bem, no ano que vem, nao deixe de participar!). Essa foi uma das
partes que levantou maior numero que perguntas.
No final, sobrevivemos. Foi divertido, e foi legal. Essa e a apresentacao de ontem do Nilton Guedes, marcaram o inicio da participacao efetiva do Brasil no
JavaOne.
Depois disso, saimos para jantar, mas o grupo se dividiu. A maior parte do pessoal saiu e foi comer
no MacDonalds (inacreditavel nao eh mesmo?) e eu fui jantar com o Thiago (Apple) e o Fabio (IBM) em um
restaurante que lembrava os anos dourados. No jantar, conversamos sobre varios assuntos, em particular,
o Fabio participa (pela IBM Inglaterra) do processo de evolucao da JVM, e nos conversamos bastante sobre
o JCP, a Sun, e tambem sobre C# e .Net.
Hora de dormir, certo? Amanha tem mais!
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