|
Quarta, dia 6 de junho
Antes de mais nada, algo inusitado aconteceu hoje. John Gage não foi o host do show, pela primeira vez desde que o JavaOne começou, a 6 anos. Ontem ele já havia avistado que não estaria aqui hoje, e o motivo foi a formatura do filho dele. Como ele mesmo disse, "existe vida além de Java", mas ficou essa lacuna.
Que por sinal, foi coberta por outro grande nome, Jon Kannegaard, diretor do SunLabs.
Eu havia combinado com Jon que passaria a bandeira do Brasil para ele. Ele queria fazer uma brincadeira logo cedo, e queria subir com a bandeira brasileira no palco. De manha, quando fui falar com ele, ele disse que não usaria a bandeira, mas queria que nos, brasileiros, fizessemos barulho. E o que ele fez? Pediu para odo mundo se levantar, e disse que logo de manha, para acordarmos, todo mundo deveria griar "Gooooooooll" como os brasileiros, e ele fez as 20.000 pessoas gritarem "Gooooooooll", enquanto nosso grupo abanava a bandeira freneticamente. Em 20 mil, um grupo de 15 pessoas consegue fazer um barulho danado, mas so se esse grupo for de brasileiros!
Eu perdi o inicio do keynote, porque fui me encontrar com Tracy, uma pessoa da Sun que me entregou um telefone celular i85s da Motorola, com suporte a Java. Eu ficarei com o i85s ate a proxima sexta-feira, as 12hs, testando as funcionalidades. Ate agora, me parece muito legal. Por sinal, se voce quiser falar comigo durante o evento, pode ligar para: +1 (510) 377-4566. A ligação é internacional, e você estará pagando, além disso, obviamente, existe uma boa chance de eu estar no meio de uma palestra ou entrevista, e não atender o telefone... Mas, você estará ligando para um celular com suporte a Java, no meio do maior evento de Java do mundo. Não que isso seja um bom motivo, mas é o único :-)
Qdo eu voltei, quem estava falando era o Greg Papadopoulos, da Sun, e ele estava falando sobre as arquiteturas do passado e do presente e o que elas significam. As arquiteturas de rede e as tecnologias que a suportam são:
- The Network is the Computer - client / server
- Objects - CORBA
- Legacy to the Web - HTTP (onde estamos agora)
- The Computer is the Network - XML, Web Services (estamos comecando a ver essa aqui)
- Network of Embeded Things - Jini
- Network of Things - ??? - a ser criada....
Greg falou da questão da Lei de Moore (em relação as processadores) e a Lei de Guilder (em relação a velocidade de rede), e mosrou que estamos chegando no ponto onde a velocidade de crescimento da rede ultrapassa a velocidade de crescimento de processamento, e portanto, iniciando uma época muito interessante...
Depois Greg falou do SunOne, como um exemplo de arquitetura para Web Services. Falando sobre o fato que a Internet é muito maior do que a Web, ele chamou Bill Joy para falar de uma tecnologia que utiliza a rede para aplicações Peer to Peer (P2P).
Bill Joy entrou conversando com Greg Papadopoulos, e descreveu JXTA (cujo nome vem de "Juxtapose", ou lado a lado), como uma platforma a partir da qual pode-se construir aplicações P2P. Bill Joy disse que a Sun partiu do principio que havia uma parte da tecnologia P2P que ninguem deveria ser dono, para poder existir inovação e construir em cima dessa base. Por isso, JXTA se propõe a ser simples, e, acima de tudo, totalmente livre. Por isso, o projeto foi transformado em Open Source, com uma licença semelhante a licença do Apache.
Bill Joy comparou JXTA aos primeiros dias do Unix, onde havia algumas convenções simples que todos adotavam ("voce lê da entrada padrão e escreve na saida padrão") e operações também simples (pipes) que permitiam com que grupos diferentes construissem em conjunto utilitários que depois facilmente eram integrados, e que vieram eventualmente a se trasformar no mais poderoso sistema operacional moderno.
No JXTA, disse Joy, temos grupos, pipes, peers. De forma simples e distribuida. Montamos a infraestrutura, e a comunidade é quem esta construindo e evoluindo.
Foi apresentada uma aplicacão simples de chat com JXTA, para mostrar as potencialidades, e o quão fácil é escrever uma aplicação P2P com essa plataforma. A outra demonstração foi muito mais forte.
eMikolo apresentou uma aplicação de stream de video, fazendo a comparação do carregamento do video a partir de um servidor central, ou a partir de uma rede de peers usando JXTA. A diferença na velocidade do download (e na correspondente qualidade do filme) era gritante. Joy chamou atenção que em um esquema central, onde todos fazem o download do servidor, cada novo usuário faz com que o sistema fique cada vez mais lento. Por outro lado, ao usar uma infraestrutura P2P, onde cada parte do filme é fornecida por um dos peers da rede, cada novo usuário faz com que o sistema fique mais rápido.
Essa é potencialmente uma grande mudança na forma de ver a internet. Outra demonstração interessante foi uma aplicação de leilão, mas um leilão mais personalizado e eficiente. Ao dirigir o seu carro, esse identifica que seu tanque de gasolina esta quase vazio. Utilizando JXTA, o carro procura postos de gasolina dentro da distância que ainda pode ser percorrida e faz um processo de "leilão" do seu tanque de gasolina vazio, para quem está disposto a enchê-lo pelo menor preço. A demonstração ainda vai mais longe, já que seria possível contactar talvez 2 ou 3 outros carros na pista, para ver se alguém gostaria de se juntar a você, e quem sabe conseguir descontos maiores.
Joy falou das implicações que JXTA como sistema open source terá e mostrou que a comunidade respondeu imediatamente, e a apenas 6 semanas do lancamento da tecnologia, já foram feitos mais de 50.000 downloads dos pacotes do JXTA.
Depois do keynote de Bill Joy, foi realizado um painel, do qual participaram alem de Bill Joy e Greg Papadopoulos, James Gosling, Rob Gingle, Mike Clary (Sun Microsystems), Adam Bosworth e Tin O'Reilly (O'Reilly).
Durante o painel, algumas das idéias mais interessantes dos participantes:
- Muita gente procura saber como as arquiteturas conseguirão resolver esse ou aquele problema, e qual será a arquitetura correta. Mas novas arquiteturas são criadas toda vez que se encontram problemas. Não existe uma arquitetura definitiva.
- A mudança de mentalidade necessária para tirarmos proveito dessas novas tecnologias demora a acontecer. Até recentemente, ninguém pensava que baixar arquivos dos computadores dos outros poderia ser mais rápido ou mais confiável que baixar de um grande servidor central. Precisou que um adolecente, que não sabia das limitações, criasse uma solução (Napster) que mudou toda a mentalidade e deixou a coisa óbvia. São as novas pessoas que começam a viver nesse novo mundo conectado é que consegue fazer esse mudança. (Tin O'Reilly)
- Tin O'Reilly também tocou em um ponto importante sobre novas arquiteturas, que é uma visão fundamental de liberdade. Enquanto arquiteturas como a .Net (Microsoft) partiram da visão "o que é que precisamos controlar para termos sucesso", a visão de JXTA parte do ponto oposto "o que é que ninguém precisa controlar, para poder acelerar a inovação". E eh essa diferença que permite uma grande inovação nesse mercado.
Isso concluiu o painel, e o keynote.
|