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Quarta, dia 7 de junho

Antes mesmo de começar a escrever, um aviso: estive essa tarde com o John Gage, e insisti com ele sobre a questão das apresentações serem colocadas na web. Ele então chamou a responsável, e acertamos com ela que as 12 apresentações mais procuradas serão colocadas na web via webcast. Eu coloquei a preocupação que temos problemas de largura de banda no Brasil para ver isso como webcast, e então eles ou vão nos mandar os vídeos para o Brasil, ou vão colocar a possibilidade de download. Amanhã, quando ele fizer o anúncio, você ouviu primeiro aqui, e o JavaMan brasileiro tem um pouco a ver com isso!

Os keynotes hoje foram mais técnicos, com o Bill Joy e o James Gosling.

O Bill Joy começou falando sore a lei de Moore. A indústria imaginava que a lei de Moore permaneceria válida por mais uns 10 anos apenas, o que daria ainda um fator de 100 vezes no aumento de velocidade dos processadores, antes de passsarmos a não ter mais crescimento. Só que recentes descobertas no campo molecular já extenderam essa perspectiva para 30 anos. Isso significa que agora estamos na segunda metade do tabuleiro de xadrez (uma alusão à história dos grãos de arroz), e a cada "casa" do tabuleiro, os ganhos são gigantescos.

Isso no fundo significa que teremos cada vez mais devices, com cada vez mais capacidade de memória e a preços cada vez menores. E o grande problema disso é como gerenciamos esses devices todos? Se hoje temos cerca de 3 aparelhos (chips) conosco a cada momento, dentro de 30 anos teremos talvez 3 milhões (o Bill Joy citou como exemplo as caixas pretas dos aviões: hoje, temos duas. Daqui a 30 anos, provavelmete pintaremos o avião inteiro com "caixas pretas", e bastaria achar uma parte qualquer do avião para conseguirmos as informações). E essa explosão de devices traria uma nova dimensão no gerencimamento de tudo isso, e é por isso que tecnologias como Java e Jini são tão importantes.

O Bill falou também das famosas 6 webs dais quais ele vem falando ja a algum tempo, que são:

  • Near Web - o acesso à rede através do "desktop", mouse, teclado
  • Far Web - acesso via o aparelho de televisão, ou outros aparelhos eletrônicos
  • Here Web - a rede no meu bolso: telefones celulares, agendas eletrônicas
  • Ear Web - interfaces de reconhecimento de voz
  • E-commerce Web - comércio eletrônico, que muitos esperam ser o grande mercado, B2B, B2C
  • Pervasive Computer Web - o mundo de sensores ao nosso redor

Ele colocou que a maioria dessas "webs" ainda está engatihando e nos primeiros estágios de desenvolvimento, havendo muito espaço para novas empresas e novas idéias surgirem em cada uma delas. Bill Joy disse também que podem surgir muitas outras "webs", mas que pensar nessas 6 ajuda a organizar o pensamento, e decidir onde investir.

Ele apontou um dos grandes benefícios de Java, que é o fato de que quando colocamos informação nessa multidão de pequenos aparelos, que estão por tras de tudo que fazemos, precisamos saber exatamente qual o significado do código que estamos colocando lá dentro, que quando substitumos uma peça mecânica, que conhecemos as propriedades (uma mola por exemplo), e colocamos um equipamento eletrônico no lugar, é importante sabermos que o código está de fata representando o que deveria. E Java é um passo gigantesco na direção de software mais confiável e previsível.

Depois ele entrou no assunto de programas confiáveis, e começou dizendo que hoje nós entendemos como fazer hardware confiável, e como colocar duas ou mais máquinas, muitas vezes diferentes, fazendo load balance, e outras coisas, de forma a evitar falhas de hardware, mas nossos programas hoje não toleram falhas de hardware ou de software. Ele imagina então um processo de aprimoramento de softwarem, no qual vários móulos semelhantes, e mutações desses módulos, de forma a conseguirmos identificar aqueles que são os mais confiáveis e termos então uma dúzia desses mais confiáveis "votando" para tomar uma decisão, de forma a termos software mais confiável e realmente tolerante a falhas. Não só isso, mas também software tolerante a falhas de usuários de forma que uma configuração errada não cause o sistema a ter problemas.

Com isso, Bill Joy imagina um futuro no qual sejamos capazes de construir sistemas confiáveis a partir de partes não confiáveis, e que software falhará tanto quanto aviões falham hoje, e quando isso acontecer, teremos inclusive auditorias das entidades para descobrir o que foi que aconteceu. Parece com os nossos sistemas de hoje, certo?

As áreas que ele acredita serem as mais interessantes são (em ordem de quando irão acontecer): desktop, business, comunicação sem fio, voz, divertimento. Com muitas oportunidades para idéias e empresas.

Em sguida, falou James Gosling, quebasicamente apresentou algumas demonstrações, mostrando qual o caminho que ele esta seguindo com Java. A primeira delas foi a demonstração do Real Time Java, com dois robôs sendo controlados por software 100% Java (inclusive rodando em um Java-only chip), e fazendo uso do chamado "hard real-time". Isso é um grande passo para a tecnologia, já que vai permitir Java ser usado em um novo universo de equipamentos, em uma das poucas áreas onde Java não podia ser efetivamente utilizada.

A outra demonstração foi de uma empresa chamada Zaplet, que esta utilizando Java para jntar de forma inteligente a web e o e-mail, permitindo com que se enviem e-mails dinâmicos. Interessante.

Em seguida um painel com John Gage, James Gosling, John Bosak (distinguised engineer da Sun Microsystems, e conhecido como o "pai" do XML) e Greg Papadopoulis, CTO da Sun Microsystems, e o assunto foi exatamente Java e XML e como as duas tecnolgias se complementam muito bem. Alguns pontos interessantes desse conversa:

  • Bosak disse que XML já está finalizada desde fevereiro de 98, e que o que ainda falta fazer é definir a semântica, ou seja, o que um documento expresso em XML realmente significa. É nesse ponto que Java é tão importante, por fornecer essa semântica de forma portável.
  • Outro ponto interessante foi o comentário do James Gosling sobre complexidade, e o quão assustador é pensar na complexidade nos próximos 5 anos. Os processadores evoluem de acordo com a lei de Moore, mas o nosso "wetware" entre as orelhas não, e o ponto onde as coisas se cruzam é por volta de 2020, quando teremos processadores mais complexos que o cérebro humano... (será que algo faz você lembrar do artigo da Wired?)

O painel encerrou o keynote, e depois disso tentei conseguir uma foto com o James Gosling para colocar no site, mas não rolou, tinha muita gente ao redor e uma secretária puxando o cara para ele ir fazer outra coisa. Mas consegui um autógrafo dele, junto com os autógrafos do resto do time do Jini, pelo menos isso vai dar pra colocar aqui...

O resto do dia eu passei em várias sessões técnicas: Java 2 Micro Editon, Jini e a arquitura Surrogate, Desenvovimento avançado com EJBs.

No meio da tarde acabei indo encontrar com o John Gage e passei um tempo com ele. Foi nessa hora que consegui que ele decidisse a questão das apresetações na web, e também conversamos sobre outras coisas, o que me fez perder as últimas sessões.

Passei também na lojinha do JavaOne. O pessoal aqui aproveita pra enfiar a faca! Tudo custa uma fortuna. Acabei comprando um casaco e umas camisas, e um presente para a Karina, minha esposa.

Bem, o dia ainda não acabou, e ainda volto para escrever alguma coisa, mas agora vou ter que ir, ou então vou perder os BoF que quero assistir. Mais tarde talvez anda tenha o resto do dia por aqui.

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